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Quarta, 22 Fevereiro 2017 00:00

Telefônica vai focar em fibra óptica e cliente de alta renda

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Valor Econômico - 22/02/2017

A Telefônica Brasil, dona da marca Vivo, pretende desfazer a imagem cultivada durante os últimos anos de que a fibra óptica até as residências é só para áreas privilegiadas, concentradas principalmente na região metropolitana de São Paulo. A estratégia agora é levar a fibra para as principais cidades do país, aproveitando a maior escala da rede e os custos em queda. A aceleração da implantação de rede 4G, de 290 cidades no quarto trimestre de 2016 para 2 mil em 2017, e o foco nos clientes de alto valor estão entre as prioridades da Vivo para este ano.

Não se trata de uma guinada, mas um refinamento da estratégia que rendeu resultados que agradaram a companhia no fechamento de 2016. Ontem, a empresa anunciou lucro líquido de R$ 4,08 bilhões em 2016, alta de 22,6% na comparação anual. A receita líquida avançou 0,9% no período, para R$ 42,5 bilhões.

Para o presidente-executivo da Telefônica, Eduardo Navarro, a companhia mostrou "um caso raro de crescimento e de boa remuneração ao acionista". A empresa destinou R$ 4,1 bilhões de remuneração aos acionistas em 2016, um aumento de 24% nas mesmas bases anuais. O desembolso será em agosto e dezembro de 2017.

No cargo desde novembro, em substituição a Amos Genish, Navarro disse que o resultado apresentado agora não se construiu de um dia para outro. "É uma estratégia clara, ao longo dos anos, muito focada em dados, e não em voz, centrada no valor do cliente, não em descontos. O reflexo é no Arpu [receita média por usuário] e na construção de uma experiência melhor ao cliente para acessar a internet", disse o executivo, que está no grupo há 18 anos.

A receita média por usuário total foi de R$ 28,6 por mês no quarto trimestre, 10,8% acima de igual período de 2015. Segundo a empresa, o indicador é 74% maior que a média dos competidores. "Não temos nada grátis. Isso é nocivo para a monetização do serviço, para a indústria e para o cliente", disse Luis Plaster, diretor de finanças e de relações com investidores, ao explicar a evolução do Arpu.

Dados representam fatia de 62% da receita por usuário, ante 52% em 2015. Voz, ao contrário, caiu de 48% para 38%. Se for mantida a tendência de queda da receita de voz, o serviço vai representar menos de 10% da receita em 2025, estima Navarro.

A receita móvel foi muito resiliente, disse Plaster. O segmento de dados e serviços digitais (internet e SMS) já representa 62% da receita móvel. Em 2017, dados vão crescer duplo dígito, disse o executivo.

A receita líquida de aparelhos no trimestre, R$ 276,9 milhões, foi 20,7% menor comparada a igual período de 2015. A companhia reduz cada vez mais o subsídio aos aparelhos. A estratégia é oferecer descontos atrelados aos planos, principalmente os de maior valor, de modo que no quinto ou sexto mês de uso o cliente já tenha pago o equivalente ao desconto obtido.

Além disso, a Vivo oferece pontos a usuários que queiram trocar de celular, entregando o usado como parte do pagamento. O desconto pode chegar a R$ 300. É o programa Vivo Renova, que recebeu 89 mil aparelhos para recondicionar em 2016, por meio da parceira Brightstar.

Na área de TV paga, a Vivo colheu em 2016 o efeito da integração com a GVT. Enquanto as duas companhias eram pequenas isoladamente na área de TV, o que dificultava a negociação com os programadores de conteúdo, quando as bases de clientes foram integradas a empresa passou a ter mais escala e mudou de patamar de preço. Com isso, conseguiu negociar preços menores, disse Navarro.

A Vivo desestimulou o serviço de TV via satélite, que tem alto custo e não favorece o empacotamento de outros serviços. "Colocamos crédito mais restritivo, porque a inadimplência custa muito", disse Navarro. "Aumentamos o preço e o produto é mais seletivo."

A estratégia de expansão agora é TV por fibra óptica (IPTV) em todo o país, com velocidade de 100 a 300 megabits por segundo. "Houve uma aceleração na [implantação] da fibra até a casa. É um investimento de muito longo prazo e resistente ao futuro", disse Navarro. "Fibra até a casa é um produto matador".

"A Vivo é a maior companhia por clientes em fibra na América Latina", disse Plaster. São 735 mil clientes. A rede da empresa cobre 5,7 milhões de domicílios, dos quais 1 milhão fora do Estado de São Paulo. O crescimento por fibra foi de 50% no ano passado. Navarro reconhece que a base de clientes ainda é pequena, mas se disse confiante de que o crescimento vai se acelerar com o tempo.

Outra iniciativa foi retirar com rapidez os modens e outros equipamentos instalados nas casas de clientes que desistiram do serviço. Os aparelhos são renovados e reinstalados nos domicílios de outros usuários. Isso permitiu uma economia de 30% nos investimentos, disse Plaster.

A Telefônica confirmou o investimento de R$ 24 bilhões para o triênio 2017-2019. No acumulado de 2016 foram R$ 8,1 bilhões. Se excluir o valor das licenças de 2,5 gigahertz, para implantação da rede 4G, o investimento atinge R$ 8 bilhões, queda de 3% na comparação com 2015. A Vivo vem reduzindo gradativamente o percentual dos aportes em relação à receita de serviços. Em 2014, era de 20,9% da receita líquida; em 2015, 19,7%; e em 2016, 18,8%. "O capex [investimento] vai continuar caindo como percentual da receita, porque a receita sobe", disse Plaster.

 

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