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Terça, 11 Abril 2017 00:00

Risco de pane em telefonia está sob a lupa da Anatel

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Valor Econômico - 11/04/2017

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) começou a se reunir com as operadoras para montar um mapa de todas as redes de telefonia do país. O resultado do trabalho deverá revelar um retrato colorido e detalhado da infraestrutura de cada tele em mais de 5 mil municípios. Quanto menor a cidade, menos serão as interseções, chegando, finalmente, a cerca de 1,6 mil delas com apenas uma cor, a que for atribuída à Oi, como única operadora da localidade. Nas contas da Anatel são 2 mil localidades. Mas onde atuam pequenos provedores de internet, a Oi considera que não está sozinha.

A ideia de fazer o levantamento nasceu pela necessidade de a agência reguladora ter um plano de contingenciamento devido à crise que a Oi atravessa. Em processo de recuperação judicial desde junho de 2016, a maior concessionária de telefonia fixa desperta o interesse de investidores, mas ainda não conseguiu consenso com credores sobre uma dívida de R$ 65 bilhões.

Inicialmente, a Anatel esperava que cada operadora lhe apresentasse um plano de contingenciamento. Mas acabou convencida de que ela própria era a única com potencial para a tarefa. As operadoras não conhecem em detalhes as redes umas das outras, por serem confidenciais, o que deixaria cheio de buracos um plano concebido pelas companhias. Assim, cada uma entrega seus dados à agência, que poderá desenhar um mapa nacional detalhado, antecipando propostas que possam anular eventuais crises em áreas desprovidas de redes concorrentes.

Outra vertente que ganhou relevância na elaboração desse plano é até que ponto a crise financeira teria contaminado a parte operacional da Oi. Como é a maior concessionária de telefonia fixa do país e as concorrentes usam sua infraestrutura para chegar a milhares de localidades, houve questionamentos no mercado se essa malha nacional interconectada correria o risco de entrar em colapso.

Engenheiros do setor de telecomunicações ouvidos pelo Valor descartaram a possibilidade de um risco sistêmico nacional.

"As redes são muito interligadas, como um sistema rodoviário. Se um caminho for interrompido [com a queda de um circuito ou falta de manutenção], o tráfego será feito por outra rota, de outra empresa", diz um especialista. Mas se uma pane acontecesse no Rio de Janeiro, por exemplo, onde há prédios nevrálgicos para o sistema de telefonia brasileiro, o sistema ficaria fora do ar por alguns dias.

Já em uma cidade pequena, onde a Oi é a única alternativa, o prazo poderia se alongar até que o poder público encontrasse uma solução. Enquanto isso, os telefones ficariam mudos. Mas a solução seria fácil, bastando deslocar um funcionário da Oi ou até da estatal Telebras para fazer a manutenção.

"Mas não seria um caos para o país. É a vantagem de termos redes com empresas diferentes", diz outro especialista. Na sua opinião, um cenário nacional caótico só seria possível por vandalismo ou terrorismo, por meio de invasão e desligamento manual de equipamentos e de satélites da empresa.

Para engenheiros, pode haver quedas de redes pontuais, porém dificilmente um colapso sistêmico nacional

Um engenheiro explica que o tráfego segue por caminho alternativo porque tem dupla ou tripla abordagem nas redes. Porém, diz ele, em muitos casos a Oi é a única provedora do circuito. Em sua opinião, a preocupação não é com o funcionamento dos circuitos, e sim se futuramente decidirem fatiar a Oi. Ele considera inquietante a possibilidade da entrada de um investidor sem compromisso com a operação, de olho apenas no lucro com a venda do negócio, colocando em risco a parte operacional. O temor não é compartilhado por outros especialistas.

O diretor de operações da Oi, José Claudio Gonçalves, descarta qualquer hipótese de pane ou apagão na rede da empresa e com reflexo para os concorrentes que compartilham infraestrutura.

Gonçalves diz que a companhia tem duas grandes operações. Uma delas, com 5 mil funcionários, é a de infraestrutura, que cuida dos equipamentos do backbone, ou seja, a rede de fibras ópticas. É aí que está toda a parte eletrônica, de energia, de núcleo da rede, acesso do serviço móvel, de dados, TV por assinatura, satélite etc.

São 350 mil km de fibras, com saídas internacionais e duas vias diferentes para chegar a cada município, segundo o diretor. Funciona em anéis e com redundância. Uma média de 240 mil equipamentos estão na rede, gerenciados por um centro da Oi na Praia de Botafogo (RJ).

A outra operação é a de serviços a clientes, desde a instalação ao reparo nos domicílios. É aí que estão os cabos metálicos, feitos de cobre, roubados constantemente das instalações nas vias públicas, com prejuízo anual de R$ 200 milhões, segundo a Oi. Nessa operação está a última milha, trecho final da rede que chega aos domicílios. Todo o trabalho era terceirizado. Há dois anos, houve uma mudança, com 80% da força de trabalho terceirizada e 20% da Oi. Hoje, essa proporção já foi invertida.

Os resultados apareceram no quarto trimestre, diz o executivo, ao citar melhora do tempo de resolução de reparos, queda da entrada de falhas, atuação mais preventiva e consequente redução de reclamações junto à Anatel.

O centro de gerenciamento de rede é ligado a sensores que acionam, em média, 170 milhões de alarmes por mês. Não são falhas, explica o diretor, são itens a serem tratados para descobrir a causa do alerta, numa média de 180 mil no período, 40% dos quais são resolvidos remotamente e o resto em campo. "Com isso, a disponibilidade [das redes] é de 99,8%. Então, o risco de apagão é muito baixo. O risco de colapsar tende a zero e o risco de colapso de outras empresas é zero", afirmou.

O executivo destacou que as redes das outras operadoras ligadas às da Oi estão dentro desse contexto de gerenciamento. Mas como sua infraestrutura é nacional, disse que os concorrentes mais escoam tráfego na rede da Oi do que o contrário.

Os investimentos nas redes da Oi foram de R$ 1,1 bilhão no quarto trimestre e R$ 4,9 bilhões no ano, 17,7% a mais que em 2015.

A rede de fibras da Oi está presente em cerca de 45% dos municípios que ela atende e passa em frente a 260 mil domicílios ("homes passed"), com plano de chegar a 500 mil no fim do ano, segundo a tele. Já a de cobre tem abrangência de 48 milhões de lares.

Fonte: 

http://www.clipping.abinee.org.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=2

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