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Quinta, 01 Fevereiro 2018 00:00

Eletrobras avança em venda de R$ 4 bilhõe

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Valor Econômico - 01/02/2018

A Eletrobras está mais próxima de atingir uma parte fundamental do seu plano de reestruturação e redução do endividamento. Segundo Wilson Ferreira Junior, presidente da estatal, a venda de 74 sociedades de propósito específico (SPE) avaliadas em R$ 4 bilhões no balanço da companhia deve acontecer até o fim de abril.

O executivo participou ontem do evento Latin America Investment Conference, do Credit Suisse.

A venda dessas empresas, que envolvem ativos de geração de energia eólica e de transmissão, é considerada fundamental para que a estatal reduza seu endividamento medido pela relação entre dívida líquida e Ebitda para menos de 3 vezes até o fim deste ano. Ao fim de setembro, o indicador era de 4,1 vezes.

Segundo Ferreira Junior, o cronograma da venda dos ativos será anunciado até o fim deste mês, quando será divulgado também o modelo da operação, se haverá ativos agrupados e outras características. Uma lista divulgada pela Eletrobras em julho passado apresentou 58 SPEs de energia eólica e 16 de transmissão, incluindo a interligação do Madeira, de escoamento da energia das hidrelétricas do rio Madeira (RO) para o Sudeste, e a fatia da Eletrosul no linhão que está escoando energia de Belo Monte, no rio Xingu (PA), também para o Sudeste.

Os ativos em questão foram transferidos das controladas Eletrosul, Chesf, Eletronorte e Furnas para a holding, a fim de abater dívidas. A ideia era que fossem vendidos em seguida, mas o processo se arrastou e acabou levando mais tempo do que o previsto.

Muitas empresas sócias da Eletrobras nesses ativos, como EDP Energias do Brasil e Cteep, já mostraram interesse em ficar com as fatias da estatal. Segundo Ferreira Junior, as conversas com essas empresas estão começando agora.

Outra parte importante do plano de reestruturação da companhia envolve a venda das distribuidoras, que devem ser licitadas até o fim de abril, segundo o executivo. A Medida Provisória (MP) 814, publicada no fim do ano passado pelo presidente Michel Temer, deve ajudar nesse objetivo, ao deixar os créditos que as empresas têm junto ao fundo setorial Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), no total de R$ 8,5 bilhões, "mais líquidos."

Um dia antes da publicação da MP, o conselho de administração da Eletrobras decidiu recomendar que os acionistas votem para manter esses créditos nas distribuidoras. A orientação divergiu da ideia anterior da administração da companhia, que trabalhava para que os créditos fossem assumidos pela holding, para ajudar a reduzir a dívida de R$ 11,2 bilhões dessas concessionárias que já será assumida pela controladora. A votação vai acontecer em uma assembleia geral extraordinária (AGE) em 8 de fevereiro.

Isso aconteceu devido ao processo de fiscalização que está sendo realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nos fundos setoriais. Até o momento, a fiscalização concluiu que as distribuidoras na verdade tem de devolver cerca de R$ 4 bilhões. Se isso se concretizasse, e os créditos (ou débitos) fossem assumidos pela holding, haveria o risco de uma baixa contábil de mais de R$ 12 bilhões na companhia, comprometendo seu processo de privatização.

"A MP 814 ajudou a tornar os créditos mais líquidos", disse Ferreira, explicando que, com isso, a Aneel poderá ter condições para concluir a fiscalização de forma mais favorável às distribuidoras.

Mesmo assim, não houve uma mudança na orientação do conselho aos acionistas, disse Ferreira Junior, completando que não pode antecipar uma decisão dos acionistas controladores.

Mais cedo, porém, em fala no evento, o executivo havia indicado que poderia haver uma mudança nessa interpretação, já que agora há uma chance maior de que os créditos das distribuidoras sejam "concretizados", devido às mudanças da MP 814. Independentemente da decisão, é importante que a Aneel termine a fiscalização dessas contas setoriais antes da venda das distribuidoras. "Para que tenhamos a confiança dos investidores, eles vão querer uma decisão final da Aneel antes do leilão. É o melhor que podemos ter", disse ele.

 

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