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Segunda, 09 Abril 2018 00:00

Cresce disputa pela Eletropaulo e novas propostas são esperada

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Valor Econômico - 09/04/2018

Está cada vez mais acirrada a disputa pela Eletropaulo, que detém a maior concessão de distribuição de energia do país. Interessados em fazer oferta pela empresas vinham conversando com o conselho de administração da companhia, mas a proposta da Energisa, na quinta-feira à noite, de fazer uma oferta pública pela distribuidora, colocou um senso de urgência que as conversas ainda não tinham.

Agora, há data máxima para as ofertas. O conselho da Eletropaulo tem até 20 de abril para fazer uma recomendação positiva ou negativa - aos acionistas, respondendo a oferta da Energisa. Até lá, outras propostas já terão que estar na mesa. A expectativa é que ao menos duas empresas formalizem suas ofertas nesta semana, entre elas a Neoenergia, que atua em distribuição no Nordeste e está presente no interior de São Paulo por meio da concessionária Elektro.

Na sexta-feira, havia uma expectativa de que a Neoenergia entregasse sua proposta nos próximos dias e que a Equatorial, que teria manifestado interesse, também fizesse uma oferta até terça-feira, quando há uma reunião do conselho de administração da Eletropaulo.

Embaladas por possível "guerra de ofertas", ações da distribuidora paulista tiveram alta de 12,71% na sexta-feira

Duas fontes confirmaram ao Valor a intenção de proposta da Neoenergia, mas o conselho de administração da companhia deve bater o martelo apenas ao longo dessa semana. A empresa é controlada pela espanhola Iberdrola, o fundo de pensão Previ e o Banco do Brasil. A deliberação sobre a decisão de fazer oferta pela distribuidora paulista virá do conselho e não exatamente dos acionistas, que já tomaram conhecimento de todos os estudos.

A Equatorial, antes dada como certa na disputa, ainda tem um grau de incerteza e pode ficar de fora. Segundo fontes do setor, o conselho de administração da companhia não chegou a um consenso sobre apresentar uma oferta, e a empresa teria desistido da operação - ao menos por enquanto.

Outros interessados, como a gestora GP Investments (que teria se aliado a mais um fundo de investimento) também podem formalizar proposta nesse prazo.

A Energisa prevê um desembolso de até R$ 3,24 bilhões, considerando um preço de R$ 19,38 por ação e um aumento de capital de R$ 1 bilhão na empresa. Nesse formato, a Energisa quer atingir um percentual suficiente para ser controlador da companhia. A americana AES, acionista da Eletropaulo, sairia nessa leva, como qualquer outro acionista.

No entanto, o preço oferecido pela Energisa foi considerado baixo, mas há investidores que alertam que as ações da Eletropaulo subiram muito no último mês já por causa desse negócio. Desde o início do ano, as ações da Eletropaulo acumulam ganho de 32,8%. Os papéis já tinham se valorizado com o acordo fechado pela empresa com a Eletrobras sobre uma antiga dívida.

Na sexta-feira à noite, a Energisa informou que o preço oferecido pela Eletropaulo "está em linha com sua expectativa de valor justo" para a distribuidora paulista, e disse que aguardará "os desdobramentos da negociação."

Duas semanas atrás, a italiana Enel havia apresentado sua proposta à administração da companhia e à acionista AES dona de 16,84% das ações -, em que entraria como âncora de um oferta primária e secundária de ações da Eletropaulo. Segundo uma fonte, a oferta da Enel era de R$ 19,21 por ação, mas com preço negociável. A empresa tem interesse também pelo controle da distribuidora.

A decisão de recomendar a venda ou negar qualquer proposta é feita pelo conselho de administração da Eletropaulo. O colegiado é formado por 9 membros, sendo cinco independentes, mas, segundo uma fonte, a AES tem forte influência ou indicou um total de 6 conselheiros. A AES quer vender sua participação mas, como diz um executivo ligado à empresa, "não é uma separação litigiosa". Isso significa que planeja apoiar uma proposta que também favoreça a empresa.

 

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